ENTREVISTA | TIAGO TERTULIANO
O judô moderno exige mais do que força e técnica dos atletas, demanda uma arbitragem que acompanhe o ritmo das inovações globais. Nesta entrevista, Tiago Tertuliano, diretor de arbitragem da FJERN, detalha como o Rio Grande do Norte se tornou referência nacional ao profissionalizar seu quadro de arbitragem, que hoje cita com 50 profissionais. Ele discute a transição dos ciclos olímpicos, a implementação de tecnologia de vídeo e o rigoroso caminho para se tornar um árbitro de elite. Confira:
FJERN: Como a Clínica de Arbitragem 2026 focou em traduzir as mudanças globais para a realidade do Rio Grande do Norte?
Tiago Tertuliano: A Federação Internacional de Judô (IJF, na sigla em inglês) promove mudanças mais profundas sempre ao término de um ciclo olímpico. Como o ciclo anterior encerrou-se recentemente, tivemos alterações significativas na transição de 2024 para 2025. No entanto, para este ano, as mudanças são apenas pontuais. A Federação compreende que alterações drásticas durante o ciclo podem prejudicar o treinamento e o desempenho dos atletas. Traremos a regra completa para o RN, sem adaptações, para que nossos atletas não sofram com diferenças interpretativas em competições nacionais ou internacionais.
FJERN: Como tem sido o trabalho de renovação para garantir não apenas quantidade, mas qualidade técnica no estado?
TT: Nosso estado é uma referência nacional em arbitragem, com profissionais altamente qualificados. Nos últimos anos, focamos na renovação junto aos faixas marrons que estão em processo de exame para a faixa preta. Criamos um módulo específico para motivá-los e ensinar a base da carreira. Eles já iniciam a vivência prática em competições menores. Para os veteranos, realizamos seminários anuais de atualização e treinamentos práticos constantes para que todos tenham o mesmo entendimento técnico.
FJERN: Qual o papel da tecnologia no suporte ao julgamento dos árbitros locais?
TT: Atualmente, a arbitragem conta com um árbitro de tatame e um supervisor auxiliado pelo vídeo. O vídeo é fundamental porque, por vezes, o judô apresenta lances difíceis de serem captados a olho nu. Utilizamos duas câmeras por área, seguindo o padrão da CBJ, o que permite analisar ângulos diferentes e utilizar a câmera lenta. Em casos polêmicos, o coordenador de arbitragem também pode ser acionado para assegurar o resultado mais justo possível.
FJERN: Atualmente, qual é o tamanho do quadro de arbitragem da Federação?
TT: O departamento de arbitragem conta hoje com cerca de 50 árbitros ativos e devidamente credenciados.
FJERN: O que é necessário para quem deseja seguir a carreira de árbitro de judô?
TT: Primeiramente, é preciso ser faixa preta (1º Dan) e realizar o credenciamento estadual, que envolve qualificação e preparo específico. O interessado ingressa como aspirante a estadual e progride conforme sua experiência e aprovação em provas. A carreira segue para os níveis de Árbitro Estadual, os quadros nacionais (Nacional C, B, A e Aspirante à FIG) e, no topo, os quadros internacionais, como o Continental (FIG B) e o Internacional (FIG A), que habilita o profissional a atuar em Olimpíadas e Mundiais.


